Fazer cold calling — ligar a quem não nos conhece — para vender espetáculos pode parecer assustador, especialmente no setor cultural, onde as decisões muitas vezes passam por relações de confiança, sensibilidades artísticas e agendas complexas.
Mas com preparação e empatia, o telefone pode tornar-se uma ferramenta valiosa para abrir portas no booking, marcar reuniões e apresentar projetos a quem realmente decide.
Prepara-te Antes de Pegar no Telefone
Tudo começa na preparação. Cria um guião simples com o resumo do teu espetáculo: o que é, para quem é e porque vale a pena programá-lo. Evita linguagem demasiado técnica ou criativa — neste primeiro contacto, o foco é na clareza. Lembra-te de incluir argumentos objetivos: prémios recebidos, público-alvo, datas disponíveis, logísticas simples, etc.
Antecipar objeções é igualmente essencial. “O orçamento é curto”, “já temos a programação fechada”, “não conhecemos o artista” — são frases que vais ouvir com frequência. Prepara respostas que mostrem flexibilidade (como formatos adaptáveis, parcerias locais, possibilidade de apresentações escolares, etc.) sem desvalorizar o teu trabalho.
Pesquisa: Quem é a Pessoa Certa?
Muita gente perde tempo a ligar para números genéricos ou emails de contacto geral. Vai mais fundo. Pesquisa os responsáveis de programação, diretores artísticos ou programadores culturais através de sites institucionais, redes sociais ou até outros artistas que já tenham trabalhado com a entidade em questão. Uma chamada dirigida à pessoa certa tem muito mais hipóteses de sucesso.
Sabe o Teu Objetivo Antes de Ligar
Não faças chamadas vagas. Define previamente o que queres conseguir: marcar uma reunião? Apresentar o projeto? Pedir o e-mail direto para enviar press kit? A chamada deve ter um propósito claro — e esse propósito deve ser fácil de aceitar para o interlocutor. Lembra-te: o objetivo do cold calling raramente é vender diretamente, mas sim abrir uma porta para a venda acontecer.
Capta a Atenção nos Primeiros 15 Segundos
Tens muito pouco tempo para captar a atenção de quem está do outro lado. Segue esta estrutura simples e direta:
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Apresenta-te
“Olá, o meu nome é João Paiva da agência de talentos tuff”
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Explica por que estás a ligar
“Estou a contactar para apresentar um espetáculo de dança contemporânea que acreditamos ser uma boa proposta para a vossa sala.”
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Mostra o que ganham com isso
“É um espetáculo premiado, com grande aceitação junto do público jovem, ideal para diversificar a vossa programação de outono.”
Sê Respeitador e Eficiente
Se a pessoa estiver ocupada, pergunta quando podes voltar a ligar. Se não for a pessoa certa, pede um contacto direto. Nunca forces a conversa — sê profissional, cordial e objetivo. Lembra-te de agradecer o tempo da pessoa, mesmo que a resposta seja negativa.
Por fim, regista tudo: quem contactaste, o que disseram, quando podes voltar a ligar. O cold calling funciona melhor com consistência, organização e persistência respeitosa. No mundo dos espetáculos, uma chamada bem feita pode valer uma tournée.
Bom gig!