Já vimos na geeg quais os acordos mais comuns com editoras mas e o que são acordos 360º? O que são exatamente? E será que te devias meter num?
Um acordo 360º é, na prática, uma espécie de “parceria total” entre o artista e a editora. O objetivo é simples: como o mercado da música mudou drasticamente com o digital, as editoras também tiveram de se reinventar. Antigamente, elas ganhavam sobretudo com a venda de discos físicos. Hoje, com os lucros dos streams a serem muito mais baixos, as editoras passaram a querer uma fatia de todas as fontes de rendimento do artista.
Num contrato tradicional, a editora investe na gravação e promoção de um disco e, em troca, recebe parte dos lucros das vendas (hoje, streams e direitos fonográficos). Num acordo 360º, a lógica é mais abrangente: a editora passa a ter direito a uma percentagem de tudo o que tu fizeres dinheiro com — concertos ao vivo, vendas de merchandising, licenciamento da tua música para filmes, séries ou anúncios, colaborações comerciais nas redes sociais, royalties e até da tua imagem em campanhas.
É um pacote completo. E como qualquer pacote completo… tem o seu preço.
Em troca desse “abraço”, a editora compromete-se a investir de forma mais significativa no teu projeto. Isto pode incluir gravações de alta qualidade, realização de videoclipes, sessões fotográficas, estratégias de comunicação, entrada em playlists, assessoria de imprensa, agenciamento de espetáculos, negociações com marcas, e toda uma estrutura profissional que dificilmente conseguirias montar sozinho — especialmente no início de carreira.
Parece justo, certo? Depende. Porque uma coisa é o que está no papel, outra é o que acontece na prática. Há editoras que prometem mundos e fundos, mas depois não investem o suficiente, enquanto continuam a receber percentagens generosas de tudo o que entra. Por isso, a grande questão que deves fazer é: o que é que estou a dar, o que é que estou a receber e que liberdade vou perder com este acordo?
A questão está nos detalhes. Muitos artistas entram nestes contratos com sede de crescer, mas sem perceberem bem o que estão a entregar. E depois percebem que têm pouca liberdade, pouca margem de lucro e estão presos a um contrato durante anos.
Então vale a pena? Pode valer, sim — principalmente se estás no início da carreira e precisas de apoio estrutural. Mas o mais importante é perceberes o que está em cima da mesa: quanto é que te vão dar, o que é que te vão tirar e durante quanto tempo. E, de preferência, olhar sempre para quais as formas de rescisão possíveis, caso não esteja a ser como te venderam.
Vantagens dos Acordos 360
Apoio financeiro e logístico para cresceres mais depressa
Acesso a equipas profissionais de marketing, agenciamento e produção
Maior presença nos media e em palcos relevantes
Estabilidade (em teoria) para te focares só na parte criativa
Desvantagens dos Acordos 360º
Percentagens de receita mais pequenas para ti
Perda da titularidade dos masters
Menos liberdade criativa e de decisão
Podes ficar preso a um contrato durante anos
Nem sempre o investimento é proporcional ao que abdicas
Bom gig!